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CFM 2.469/2026: Revisão de Óbito obrigatória em hospitais e UPAs

Regys Mendes Plantão · Operação 4 min
Equipe médica em reunião hospitalar discutindo prontuário e protocolos clínicos

A partir de setembro de 2026, todo hospital e toda UPA do país — público, privado ou filantrópico — é obrigado a ter uma Comissão de Revisão de Óbito (CRO) funcionando. A Resolução CFM nº 2.469/2026, deliberada em 13 de agosto e publicada em 1º de setembro, altera a Resolução CFM nº 2.171/2017 e transforma o que era recomendação em exigência formal.

Para o médico que planta em hospital — pronto-socorro, UTI, enfermaria clínica — a mudança é direta: morte no plantão pode cair na pauta do comitê. E entender o que esse processo é, e o que não é, faz diferença.

O que mudou

A Resolução CFM nº 2.171/2017 já previa as Comissões de Revisão de Óbito, mas sem força de obrigatoriedade clara. Na prática, muitos hospitais tinham o comitê só no papel ou em funcionamento irregular. A 2.469/2026 fecha esse gap: implementação obrigatória para toda instituição hospitalar e UPA, composição mínima definida por resolução, e cadeia de designação de membros especificada.

O comitê precisa ter no mínimo 5 membros, com maioria de médicos. Os demais podem ser enfermeiros, farmacêuticos, assistentes sociais, psicólogos ou outros profissionais da saúde. A designação dos membros é do diretor técnico da instituição, com consulta ao corpo clínico e à Comissão de Ética Médica para os membros médicos.

O objetivo é a análise qualitativa dos óbitos: identificar causas, fatores contribuintes e, principalmente, oportunidades de melhoria para evitar o próximo caso similar. A resolução é explícita quanto à finalidade: aprendizado institucional. Não atribuição de culpa individual.

Por que importa pro seu dia a dia

Mano, se você planta em hospital, óbito é parte da rotina. E com a CRO obrigatória, parte desses óbitos vai entrar em reunião formal de revisão.

É aqui que rolou que muita gente confunde: a Comissão de Revisão de Óbito não é sindicância. Não é processo ético, não é apuração de responsabilidade individual, não é documento que vai pro CRM ou pro plano de saúde. A 2.469/2026, seguindo o espírito da 2.171/2017, é clara: o objetivo é análise qualitativa institucional, não punição.

A diferença prática: participar da reunião do comitê com honestidade sobre o que aconteceu é o caminho certo. Ficar na defensiva ou omitir informação não ajuda ninguém — e torna o processo inútil pra todos.

Dados de hospitais que já tinham CRO ativa antes de 2026 mostram que a análise sistemática de óbitos identifica que cerca de 30% dos casos revisados tinham algum fator prevenível — desde atraso em realização de exame até ausência de protocolo formalizado de sepse. Não é culpa do plantonista de plantão. É falha de processo que só aparece quando você olha o caso com distância e metodologia.

E esse dado importa pro plantonista porque mostra que a CRO não é burocracia hospitalar: ela produz aprendizado real.

O que fazer com isso

1. Confirmar se o hospital tem CRO em funcionamento

Não só no papel. A resolução é de setembro de 2026 — hospitais terciários grandes já tinham estrutura, mas UPAs menores e hospitais de interior de menor porte vão precisar montar do zero. A pergunta direta pro serviço de qualidade ou pro diretor técnico resolve.

2. Entender o fluxo de notificação do hospital onde você planta

Quando um paciente morre no seu plantão, o que é esperado de você? Em alguns hospitais, o plantonista preenche uma ficha inicial de análise; em outros, o processo começa só na reunião mensal da CRO, com o prontuário como base. Saber isso com antecedência evita deu ruim depois.

3. Participar quando convocado

Convocação pra reunião da CRO é rotina de corpo clínico em hospital com o comitê funcionando. Faltar sem justificativa não cola — a participação é parte das obrigações do médico na instituição. E o retorno é real: você sai da reunião com contexto que muda conduta em casos futuros.

4. Distinguir das outras comissões

CRO não é Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), não é Comissão de Óbito que só verifica o preenchimento correto da Declaração de Óbito, não é processo ético no CRM. São instâncias separadas com objetivos distintos. A confusão entre elas gera ansiedade desnecessária em plantonista que ouve “seu caso vai pra comissão”.

5. Sobre a Resolução CFM nº 2.171/2017 que a 2.469 altera

A 2.171/2017 já estabelecia diretrizes gerais pras comissões. A 2.469/2026 não revoga a 2.171 — ela a atualiza, tornando o que era recomendação em obrigação formal com requisitos mínimos de composição. Os artigos da 2.171/2017 que não conflitam com a nova resolução permanecem vigentes.


Saber quando o hospital está em conformidade com cada nova exigência regulatória — e quando o seu plantão pode ser afetado por isso — é parte da gestão clínica que o Pego Plantão ajuda a organizar.

Fontes citadas

Perguntas frequentes

O que é a Comissão de Revisão de Óbito?+

É um comitê multiprofissional que analisa óbitos ocorridos na instituição com foco em aprendizado — identificar causas, fatores contribuintes e oportunidades de melhoria, sem atribuir culpa individual ao médico.

A partir de quando a CRO é obrigatória nos hospitais?+

A Resolução CFM 2.469/2026 foi publicada em 1º de setembro de 2026. Hospitais e UPAs de qualquer natureza (público, privado, filantrópico) devem ter o comitê em funcionamento.

O plantonista pode ser punido pelo comitê de revisão de óbito?+

Não. A CRO não é processo ético nem sindicância. O objetivo é análise qualitativa institucional, não responsabilização individual. Eventual processo ético segue por canal separado, via CRM.

Quem compõe a Comissão de Revisão de Óbito?+

Mínimo 5 membros, maioria médicos. Os demais podem ser enfermeiros, farmacêuticos, assistentes sociais ou outros profissionais da saúde. Os membros são designados pelo diretor técnico com consulta ao corpo clínico e à Comissão de Ética Médica.

A CRO é o mesmo que a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH)?+

Não. São comissões distintas com objetivos diferentes. A CCIH foca em infecções hospitalares; a CRO analisa todos os óbitos institucionais para identificar padrões e oportunidades de melhoria.

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