Plantão UTI 2026: tabela de valores por região e especialidade
Quanto vale uma hora de UTI? A resposta varia tanto por região que dá pra dobrar o salário do mês mudando de estado sem mudar de especialidade. Esse post é o mapa que você precisava: valores reais por especialidade, por região e por tipo de instituição — tudo ancorado no piso FENAM 2026 e em dados de mercado verificáveis. Antes de qualquer número, vale entender também como o regime tributário afeta o que você leva pra casa — veja Plantão CLT vs PJ: qual paga mais em 2026 pra não cair nessa cilada depois.
O piso FENAM 2026 e o que ele realmente significa
A FENAM divulgou em fevereiro de 2026 o reajuste do piso nacional com base no INPC acumulado de 2025: 3,9%. Os valores de referência ficaram assim:
| Modalidade | Valor 2026 |
|---|---|
| Plantão 12h | R$ 3.168,38 |
| Hora trabalhada | R$ 264,03 |
| Consulta mínima | R$ 259,39 |
| Carga 20h/semana (mês) | R$ 21.122,56 |
Mas tem um detalhe que a maioria ignora: o piso FENAM é referência de negociação, não obrigação legal. Ele serve como parâmetro nos acordos coletivos e contratos hospitalares — o mercado real opera acima e abaixo dele dependendo de onde você está e do que você faz.
E a UTI é o caso mais extremo dessa variação.
Intensivista em hospital terciário privado de São Paulo pode receber R$ 4.500 por 12h. Clínico geral em pronto-socorro público do Nordeste pode levar R$ 1.000 pelo mesmo período. São 4,5× de diferença. Mesmo país, mesma carga.
Vi médico formado há dois anos aceitando R$ 1.600 por plantão 12h em UTI particular de São Paulo achando que era dentro do esperado — sem saber que o piso FENAM já bate R$ 3.168 e que o mercado local paga até R$ 4.500. Acontece. Não por má-fé do hospital, mas por falta de dado.
Tabela por especialidade: quem ganha mais e por quê
Antes de olhar região, você precisa entender que especialidade bate muito mais forte no valor do plantão do que a maioria imagina. Dados compilados de mercado para 12 horas (hospitais mistos):
| Especialidade | Faixa (12h) | Observação |
|---|---|---|
| Anestesiologia | R$ 1.500–3.500+ | Escassez estrutural de oferta |
| UTI / Medicina Intensiva | R$ 2.200–4.500 | Alta complexidade, responsabilidade contínua |
| Cirurgia Geral | ~R$ 2.000 | Demanda emergencial sustenta valor |
| Ortopedia / Trauma | ~R$ 3.302 | Plantão cirúrgico, alta demanda noturna |
| Clínica Médica | ~R$ 1.980 | Maior oferta, menor teto |
| Pediatria | R$ 1.291–2.940 | Alta variação regional |
A Resolução CFM nº 2.077/14 define que UTI nível III deve ter um médico plantonista para cada 10 leitos. Isso cria uma demanda estrutural permanente por intensivistas — e demanda permanente com oferta escassa bate direto no preço de cada plantão. Não é coincidência que intensivista e anestesista apareçam no topo da tabela.
Mas a especialidade sozinha não define tudo. Às 4h da manhã num hospital de interior sem residente de retaguarda, o plantonista de clínica médica conduzindo o paciente mais grave da UTI naquela noite não está recebendo proporcionalmente ao que entrega. Esse descompasso entre responsabilidade e remuneração é real — e negociável, se você tiver dado pra embasar.
Pra entender como chegar primeiro na vaga antes de precisar negociar, leia como pegar plantão de UTI antes da concorrência.
O mapa regional honesto: quanto muda por estado
Esse dado é mais brutal do que as pessoas imaginam.
Sudeste (SP, RJ): R$ 1.300–2.500 por 12h em média. Hospital privado de alto padrão em SP chega a R$ 4.500. UPA paga entre R$ 2.000–2.500.
Sul (POA, CWB): R$ 1.200–1.800 por 12h. Região mais organizada em cooperativas médicas; valor mais estável com menor amplitude.
Centro-Oeste (BSB, GO): R$ 1.200–2.000 por 12h. Brasília puxa pra cima via setor público federal.
Nordeste (SSA, REC): R$ 1.000–1.500 por 12h. Em UPAs de Salvador e Aracaju, o valor fica em torno de R$ 1.100.
Norte (MAO, BEL): R$ 1.000–1.600 por 12h. Menor volume de vagas privadas, mas concorrência menor.
Interior: R$ 1.500–3.000 por 12h. Esse é o dado contraintuitivo.
Interior com escassez crônica de especialistas paga mais que capital de estado. Vi um intensivista de Minas recebendo R$ 2.600 por plantão de 12h em hospital filantrópico de cidade de 80 mil habitantes — mais do que colegas em UPA de capital.
Um caso verificável: a FHEMIG (Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais) aumentou em maio de 2025 o plantão complementar nas UTIs de cinco hospitais públicos de BH — de R$ 1.500 para R$ 2.200 por 12h (+47%), incluindo João XXIII e Júlia Kubitschek. O motivo? Escassez de médicos em UTI num contexto de emergência respiratória estadual. Escassez gera reajuste. Sempre.
E o plantão 24h vs 12h?
Intuitivo parece que 24h = 2 × 12h. Não cola.
Plantão 24h costuma render R$ 2.000–5.500, o que dá R$ 83–229/hora. Já o 12h entrega R$ 264/hora no piso FENAM — proporcionalmente superior. O 24h só compensa se o hospital embute adicional noturno real ou se o turno diurno estiver praticamente vazio. Fora isso, você está vendendo hora mais barata pra parecer que fatura mais. Faz a conta.
CLT vs PJ vs cooperativa: o impacto real no líquido
O valor bruto do plantão não chega todo na conta. Regime importa — e muito.
- CLT: bruto mais baixo, mas 13º, FGTS e férias entram no cálculo. Plantonista CLT com 20h semanais em UTI está no piso FENAM de R$ 21.122 bruto/mês, chegando a R$ 14–16 mil líquido dependendo das deduções.
- PJ: valor de plantão até 30% acima do CLT, mas INSS, imposto de empresa e zero benefícios ficam na conta do médico. Quem fatura R$ 20 mil bruto no Simples paga em torno de R$ 3.200–3.800 em tributos mensais — sobrando R$ 16–17 mil.
- Cooperativa: meio-termo com taxa administrativa de 10–20% do bruto, mas com representação coletiva e menos burocracia que PJ solo.
PJ nem sempre vence. Depende de quanto você fatura, quais deduções você tem e com que frequência o contrato é revisado. Vi médico escolhendo PJ por ouvir “paga mais” sem ver o líquido real ao final do mês — aí descobria que o CLT vizinho levava mais pra casa por conta dos benefícios.
Só que aí a conta já tinha sido feita, e o contrato assinado.
Disclaimer: estimativas tributárias acima são educacionais. Cada situação depende de regime específico, deduções e perfil de faturamento. Consulte contador especializado antes de tomar qualquer decisão de regime.
FAQ
O piso FENAM é obrigatório por lei?
Não. O piso FENAM funciona como referência de negociação — parâmetro técnico para acordos coletivos e contratos. Não há lei federal que o torne obrigatório em todo território. Vínculo CLT é regulado pela CLT (Decreto-Lei 5.452/1943); PJ por contrato civil. Mas muitos sindicatos regionais incorporam o piso nos acordos coletivos, tornando-o obrigatório nesses contextos específicos.
Plantão noturno paga mais?
Sim, geralmente 20–40% de adicional sobre o valor diurno, especialmente em UTI. Em CLT, adicional noturno mínimo é 20% por lei (CLT, art. 73). Em PJ, é negociado livremente no contrato. UTI noturna com paciente crítico costuma ter adicional acima desse mínimo, especialmente em hospitais privados que precisam reter plantonistas.
Intensivista sem título AMIB: quanto esperar?
Médico atuando em UTI sem título de especialista em medicina intensiva (AMIB/AMIB) costuma entrar na faixa R$ 1.800–2.800 por 12h, geralmente em UTIs de menor complexidade ou sob supervisão de intensivista titular. Com título, a faixa salta para R$ 2.500–4.500. A diferença de R$ 1.700 por plantão equivale a mais de R$ 5.000 por mês com uma escala de 4 plantões. Vale muito a especialização.
Como saber se o hospital está pagando abaixo do mercado?
Compare com o piso FENAM para 12h (R$ 3.168,38 em 2026) e cruze com a faixa regional da tabela acima. Se o hospital oferece menos que o piso sem nenhum benefício adicional, há margem de negociação — especialmente em especialidades com escassez como intensivismo e anestesia. Plataformas de vagas médicas com salário visível também ajudam a calibrar o mercado local.
Qual especialidade tem maior escassez de plantão em 2026?
Anestesiologia, medicina intensiva e medicina de emergência lideram em escassez — o que sustenta os maiores valores da tabela. Tendência que se confirma em todas as regiões: onde tem menos médico pra cobrir, o preço vai pra cima. Mato Grosso do Sul e Pará têm vagas abertas de intensivista em hospitais que pagam acima da média nacional justamente pela dificuldade de atrair profissional.
Leia também: Depois da residência: só plantão ou consultório? A conta real
POR QUE ESCREVEMOS SOBRE ISSO
Construí o Pego Plantão porque vi médico perder plantão de UTI em segundos — não por falta de disponibilidade, mas por 47 segundos de demora pra digitar “pego” num grupo saturado. Enquanto entrevistava usuários pra mapear essa dor, a segunda pergunta mais frequente era: “quanto devo cobrar?”
A maioria não sabia nem comparar o valor do plantão com o piso FENAM. Vi médico aceitando R$ 1.600 por 12h em UTI particular de São Paulo achando que estava dentro do mercado — sem saber que o piso 2026 é R$ 3.168 e que hospital privado de SP paga até R$ 4.500. Cilada silenciosa.
Esse post é o mapa que eu queria ter na primeira entrevista com plantonista. Sem conselho de regime tributário — isso é com contador. Só dado, por região, por especialidade, com fonte rastreável. Se te ajudou a calibrar uma negociação, já valeu a escrita.
Fontes citadas
- FENAM — Reajuste do Piso Nacional dos Médicos para 2026 com base no INPC · acessado em 2026-05-13
- FHEMIG — Aumento do plantão complementar nas UTIs de Minas Gerais (mai/2025) · acessado em 2026-05-13
- CFM — Resolução 2.077/14 (normatização de UTIs e plantonistas) · acessado em 2026-05-13
- Medway — Quanto ganha um médico por plantão (dados 2026) · acessado em 2026-05-13