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Fadiga de alarmes na UTI: nota técnica AMIB/ABENTI de 2026

Regys Mendes Plantão · Tecnologia 3 min
Monitor multiparamétrico em primeiro plano com paciente deitado no leito ao fundo

Em 30 de setembro de 2026, a Associação Brasileira de Enfermagem em Terapia Intensiva (ABENTI) e o Departamento de Enfermagem da AMIB publicaram a Nota Técnica 05/2026, dedicada à fadiga de alarmes na UTI. O documento reúne a literatura recente e propõe estratégias práticas pra que o alarme volte a ser sinal de alerta, e não ruído de fundo. Quem dá plantão em UTI convive com isso a cada hora.

O que a nota diz

A definição. A nota define fadiga de alarmes como sobrecarga sensorial causada por exposição a um número excessivo de alarmes, que leva à dessensibilização e a respostas atrasadas ou ausentes a alertas críticos.

O tamanho do problema. Segundo o documento, a frequência de alarmes pode passar de 150 a 1.500 por paciente por dia. A nota cita ainda a estimativa de que 72% a 99% dos alarmes de monitorização são tecnicamente falsos ou clinicamente irrelevantes.

Dados brasileiros. Um estudo pioneiro citado pela nota, feito numa unidade coronariana de um hospital de cardiologia com 170 leitos, registrou 426 alarmes em 40 horas de observação, média de 10,6 por hora, disparados por monitores multiparamétricos, bombas de infusão, ventiladores e balões intra-aórticos. Um estudo mais recente, de 2026, feito num hospital com acreditação internacional, registrou 49 alarmes clínicos em 84 horas de observação: o tempo médio de resposta foi de 2,5 minutos e 6,1% foram ignorados. A competição entre alarmes clínicos e ruído de outros equipamentos foi apontada como barreira por 60,6% dos enfermeiros e 53,9% dos técnicos.

As estratégias. A nota organiza as recomendações em três frentes: treinamento, protocolos e personalização dos limites. Entre os pontos práticos:

  • Parametrizar os limites de alarme a partir da condição clínica do paciente, não da configuração de fábrica, e reavaliar na admissão, após intervenções e diante de novas metas
  • Ajustar limites temporariamente durante banho, aspiração e mobilização
  • Configurar pequenos atrasos de sinalização, de 5 a 10 segundos, para oscilações momentâneas
  • Monitorar só as variáveis necessárias, evitando duplicidade, como pulso da oximetria e frequência cardíaca do ECG ao mesmo tempo
  • Ao instalar pressão arterial invasiva, desativar a não invasiva para evitar alarmes de falha de insuflação
  • Resolver o alarme em vez de só silenciar, e registrar a conduta em prontuário

Por que importa pro plantão

A nota é escrita pela enfermagem e foca na enfermagem. Só que aí está a questão: os limites de alarme, a definição de quais variáveis monitorar e as metas clínicas passam pela prescrição e pela conduta médica. A nota recomenda protocolo institucional com limites padronizados conforme o perfil clínico, “elaborado pela equipe multiprofissional”.

Tipo: quando o plantonista define uma meta de pressão ou de saturação e ninguém ajusta o limite do monitor, o alarme continua tocando no padrão de fábrica. E vira mais um no meio de centenas.

Um dos itens das “pílulas de segurança” da nota fala direto com a rotina de troca de turno: o volume audível dos alarmes deve ser item de checagem na passagem de plantão, inclusive em bombas de infusão e ventiladores mecânicos. Outro resume o espírito do documento: “alarme silenciado não é alarme resolvido”.

A nota também liga o tema ao desgaste da equipe. Cita estudos que associam fadiga de alarmes a estresse, burnout e maior tendência a erro, e afirma que “dimensionamento da equipe é estratégia de segurança, e não item de custo”. Ficou claro que não é problema individual de quem “se acostumou com o barulho”.

O que fazer com isso

1. Ler a nota completa. O documento está disponível na página da AMIB, com fluxograma de resposta ao alarme e figuras sobre posicionamento de eletrodos e tamanho de manguito.

2. Levar o tema pra passagem de plantão. Incluir na checklist de passagem de plantão a conferência dos limites e do volume dos alarmes, alinhada com a enfermagem.

3. Conversar sobre protocolo. Se a UTI onde você dá plantão não tem protocolo de gestão de alarmes, a nota oferece base pra começar a discussão com a coordenação, a enfermagem e a engenharia clínica.

4. Olhar para o próprio desgaste. Ambiente com alarme constante pesa. Os sinais de esgotamento estão descritos no post sobre burnout no médico plantonista.

A nota é orientação técnica de entidades de enfermagem; condutas clínicas e parametrização seguem o protocolo da instituição.


Organizar a escala da UTI pra que a passagem de plantão tenha tempo de ser feita direito é o tipo de gestão que o Pego Plantão facilita.

Fontes citadas

Perguntas frequentes

O que é a Nota Técnica 05/2026 da ABENTI e da AMIB?+

É um documento publicado em 30 de setembro de 2026 pela Associação Brasileira de Enfermagem em Terapia Intensiva (ABENTI), em parceria com o Departamento de Enfermagem da AMIB, com estratégias para reduzir a fadiga de alarmes em UTI.

O que é fadiga de alarmes?+

A nota define como sobrecarga sensorial causada pela exposição a um número excessivo de alarmes, que leva à dessensibilização e a respostas atrasadas ou ausentes a alertas críticos.

Quantos alarmes de UTI são falsos ou irrelevantes?+

A nota técnica cita estimativa de que 72% a 99% dos alarmes de monitorização são tecnicamente falsos, decorrentes de artefatos, ou clinicamente irrelevantes.

O que a nota recomenda checar na passagem de plantão?+

Entre as 'pílulas de segurança', a nota coloca o volume audível dos alarmes como item de checagem na passagem de plantão, inclusive em bombas de infusão e ventiladores mecânicos.

A nota técnica vale só para a enfermagem?+

Ela foi elaborada por departamentos de enfermagem e foca na equipe de enfermagem, mas recomenda protocolos multiprofissionais de gestão de alarmes, com limites definidos pela equipe e apoio da engenharia clínica.

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